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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Basti

Basti é o nome do tratamento ayurvédico de limpeza e nutrição do intestino grosso (cólon). No ocidente é conhecido como enema ou clíster.
Segundo o Charaka samhitá, “o basti é metade de qualquer tratamento, senão o tratamento completo”. Para a ayurveda, o intestino grosso é a sede do dosha vata e todo desequilíbrio inicia em vata: ele governa os outros doshas. Por esta razão, o basti é considerado o tratamento ayurvédico mais importante, não apenas para reduzir vata, mas para equilibrar os outros dois doshas – Pitta e kapha.

É no intestino grosso onde a maior parte da água e dos nutrientes são absorvidos pela corrente sanguínea: em suas paredes, células inteligentes separam o que deve ser absorvido e o que deve ser excretado. Com o tempo, as paredes do intestino vão ficando “sujas” e resíduos vão se acumulando, devido a uma alimentação desequilibrada com excesso de industrializados e carnes, pouca ingestão de água e fibras etc.. Estes resíduos, principalmente os de origem animal grudam nas micro-vilosidades intestinais, entrando em putrefação e liberando substâncias altamente tóxicas que serão absorvidas e levadas para outras partes do corpo pela corrente sanguínea, causando muitas doenças.



Diferente de uma lavagem intestinal
, o objetivo de um tratamento com basti não é unicamente lavar o cólon, mas também nutri-lo. Segundo a ayurveda se apenas lavamos o intestino estaremos deixando-o desprotegido pois a lavagem apenas com água leva consigo não somente matéria perniciosa mas também uma série de bactérias importantes que formam a chamada flora intestinal. Durante o tratamento com basti, decocções com ervas, óleos medicados, determinada variedade de sal e algumas vezes mel são introduzidos pelo reto.



Existem dois tipos de basti: os de limpeza chamado de niruha ou asthapan basti e os de nutrição chamado de anuvasana ou sneha basti.

Na maioria das vezes, o sneha basti é realizado apenas com óleo de gergelim e algumas vezes com algum óleo ou ghee medicado (com bala ou brahmi), tendo como principal função a redução e tonificação de vata e o fortalecimento de apana-vayu.

A dosagem de óleo pode variar de 40 a 100ml, dependendo das necessidades do paciente e do tratamento escolhido. Os bastis de limpeza tem uma composição mais complexa contendo, como já foi dito anteriormente, decocções principalmente de ervas tônicas como a sida cordifólia (bala), o yashtimadu (alcaçús) e a bacopa monniera (brahmi), quantidades menores de óleos puros ou medicados, sal de rocha ou sal marinho não iodado (para aumentar as secreções intestinais) e, algumas vezes, mel. A quantidade de líquido introduzido via retal vai de 500ml a 1,5 litros.

A terapia do basti pode ser classificada de acordo com a função terapêutica a que se destina:

- snehana: nutrição
- shodhana: purificação
- lekhara: para reduzir algum tecido em excesso
- brimhana: para aumentar algum tecido com deficiência
- doshahara: para reduzir ou remover algum dosha
- shamana: para pacificação de algum dosha em desequilíbrio



Antes da aplicação de um basti deve-se realizar um massagem com óleo morno na barriga do paciente e na coluna lombar, aquecendo a região com uma bolsa de água quente por alguns minutos. Esse procedimento prepara o intestino e relaxa a pessoa para a aplicação da técnica. O paciente deve estar deitado sobre o seu lado esquerdo durante a aplicação do basti permanecendo por 10 minutos e em seguid deitar sobre o lado direito, oposto ao fluxo natural do intestino para facilitar a penetração dos líquidos, devendo permanecer nesta posição por pelo menos mais 10 minutos.

(acima, Tribulus terrestris indicada para impotêcia sexual: sua raíz é umas das 10 principais utilizadas em decocções para bastis. clique aqui para ler mais sobre esta planta)


O tempo de tratamento depende do número de enemas a serem realizados, geralmente é feito um por dia e um tratamento maior pode levar até 30 dias ou 30 enemas consecutivos: Karma (30 dias), kala (16 dias) e yoga (8 dias), sendo que niruha basti e sneha basti são realizados intercalados e sempre se finaliza com um sneha basti (nutrição).




Abaixo, algumas das principais plantas utilizadas para niruha basti:

withania somnifera (imunomoduladora), Tribulus terrestris (impotência sexual), Tinospora cordifolia, (tumoricida), Emblica officinalis, a amla (tônica), sida cordifólia, o bala ou guanxuma (tônica), Bacopa moniera, o brahmi – aqui acariçoba (tônica).


(na imagem ao lado, Tinospora cordifolia mais conhecida como guducchi)







Indicações do basti:

Segundo a Ayurveda, o niruha basti é indicado para qualquer doença ou desequilíbrio, principalmente quando vata está obstruindo os canais: dores abdominais, sensação de pressão no peito, gazes, pressão intestinal, dor cardíaca, dores de cabeça, dores articulares, paralisia, constipação, intoxicação, tremores, desordens nervosas, gastrointestinais, constipação, perda de força, fraqueza muscular, febre, dor de cabeça, infertilidade, cálculos renais, esquizofrenia, perda de força ou fraqueza, transtornos psiquiátricos, gota, dores reumáticas dificuldade de absorver nutrientes, etc.. O basti de limpeza é contra-indicado em casos de perfuração intestinal, diarréia, pessoas muito debilitadas, pacientes com excesso de ama (toxina) no sistema digestivo, que receberam muita oleação ou estão com fome e sede excessivos.

As mesmas indicações do niruha basti se aplicam ao sneha basti, acrescendo nas contra-indicações casos de febre, anemia, diabetes e excesso de kapha no trato gastro-intestinal. Os enemas de nutrição são também indicados em casos de excesso de fogo digestivo, úlcera gástrica, secura geral, pele envelhecida, articulações barulhentas ansiedade e agitação mental e como preparação para o parto (fortalece apana).


A palavra “basti” significa bexiga urinária. Antigamente o instrumento utilizado para realizar este procedimento ayurvédico era a bexiga das vacas, onde colocava-se a decocção e acoplava-se um cone de metal para introdução via retal. Hoje em dia, o basti pode ser realizado até mesmo sozinho, para isso existem alguns instrumentos que imitam o antigo mas confeccionado de borracha. É mais cômodo e higiênico utilizar sondas descartáveis onde acopla-se uma seringa para que os líquidos sejam injetados ou ainda pode-se comprar o kit para limpeza intestinal nas farmácias. Além disso é importante esclarecer que a aplicação de um enema é indolor, não é sinônimo de lavagem intestinal (que já foi famosa para emagrecimento e popularizada por artistas) e mesmo podendo ser realizada em casa pelo paciente, deve receber orientação prévia de um terapeuta ou médico ayurvédico treinado e ciente das dosagens de ervas.

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