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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Consciência Alimentar e Nutrição ayurvédica

por Marise Berg


Consciência Alimentar

Somos recriados a todo momento. Cada refeição que fazemos
 revela uma oportunidade de melhorar ou lesar a nossa saúde. 




A Ayurveda tem uma visão exclusiva sobre a constituição psicofísica dos seres humanos. São reconhecidas cinco forças da natureza que se combinam dinamicamente para formar o nosso organismo: éter (ou espaço), ar, fogo, água e terra. Esta combinação, chamada Prakritti (ou dosha), organiza todas as funções físicas, mentais e emocionais necessárias para a vida. 
Descobrir a nossa prakritti é uma oportunidade para entendermos melhor a nossa individualidade. Ao nos familiarizarmos com a nossa natureza, aprendemos a nos manter em harmonia, conquistando uma vida equilibrada, bem estar e saúde. 

A dieta adequada – um dos principais pilares da boa saúde - depende dessa compreensão. Tudo o que somos é o resultado da síntese dos alimentos físicos e/ou energéticos que ingerimos. Eles fornecem para o organismo o material necessário para o processo metabólico que nutre a vida. São os melhores medicamentos. Quando são adequados para o nosso corpo e devidamente digeridos, contribuem para nos tornar saudáveis. Quando a dieta não é compatível com a nossa constituição individual, sofremos de desequilíbrios físicos e psicológicos. Nossa saúde, nosso peso ideal, nossa estabilidade emocional, nossa acuidade mental e nosso bem estar geral dependem do que conseguimos e do que não conseguimos digerir.

Lidar com as dificuldades alimentares, principalmente o sobrepeso, não deve ser encarado como uma batalha a ser lutada sob a pena de nos tornarmos inimigos de nós mesmos e, em seguida, dos outros. Ao invés disso, podemos aprender a transformar as nossas dificuldades em amigos que estão se apresentando para nos ajudar. Eles nos dão oportunidades pra compreender profundamente as causas das nossas dificuldades. Somente a partir da consciência podemos trilhar a transformação na direção do prazer de viver e da paz.

Temos uma quantidade finita de energia para despender diariamente antes de cairmos exaustos. A consciência nos ajuda a usar esse combustível de forma otimizada com as pessoas e situações que nos trarão verdadeira paz, felicidade e prazer. A consciência é um “farol” que já existe dentro de nós. Só precisamos despertá-la. Vamos usá-la para iluminar a nossa vida a cada momento! Vivendo dessa forma, vamos encontrar o verdadeiro sabor da vida. Isso não vai nos ajudar somente a conquistar o bem estar físico – vai trazer à superfície a compreensão da riqueza e abundância da vida.

Reeducação Alimentar

Tão importante quanto a quantidade e a qualidade dos alimentos que ingerimos é o “por que” da nossa alimentação.
Temos a tendência a viver a vida no piloto automático. Ingerimos grande parte da nossa dieta pela força do hábito, cuja raiz está firmada na mente – relacionada com as memórias armazenadas ao longo da vida, com a maneira como aprendemos a reagir às percepções e também ao meio em que vivemos. Quando “aprendemos” com os amigos, parentes e mídia que comer chocolate ameniza a ansiedade ou beber um drink no final do dia ajuda a relaxar, vamos agir instintivamente dessa forma, perpetuando assim um ciclo impulsivo de atração pelo prazer e repulsa pela dor. Sabemos que determinado hábito não é saudável mas não conseguimos combatê-lo porque o desejo impulsivo pelo prazer é muito forte. Sabemos que alguma coisa está errada e não nos sentimos no controle da sua saúde. Estamos convencidos de que alguma coisa precisa mudar, mas por onde começar?

Se você é uma pessoa conectada com o seu peso e a boa forma, talvez tenha tentado várias dietas no passado. Talvez tenha experimentado cortar calorias, excluir as gorduras, evitar carboidratos, a dieta do limão, do repolho. Talvez tenha conseguido algum resultado e perdido alguns quilos – apenas para recuperá-los algum tempo depois.

Um plano eficiente de reeducação alimentar começa ao desligar o piloto automático e instalar a atenção plena. Devemos prestar atenção à potência da nossa fome, à quais alimentos nos caem melhor, qual é a quantidade de alimento que nos satisfaz e qual o sabor que mais nos agrada. Também convém sermos ser gratos por cada refeição que se apresenta, mesmo que ela não seja “tecnicamente ideal”.

O estilo de vida atual “exige” que a nossa atenção seja dividida simultaneamente entre diversos assuntos, o telefone, o computador, etc. Comemos automaticamente os alimentos mais práticos (alimentos requentados, encaixados, enlatados, reprocessados, e por aí vai...) e freqüentemente pulamos refeições ou as trocamos por um shake ou uma barra de cereais. A nossa mente está em qualquer lugar, menos à mesa. Estamos assistindo TV, ou numa reunião de negócios ou acessando os e-mails. Ou seja, a conexão entre a língua - esse poderoso órgão dos sentidos - e o cérebro está “fora do ar”.

Ao dedicar alguns segundos para praticar a atenção plena e manifestar gratidão pelo alimento, estaremos nos conectando com as sensações riquíssimas captadas pelo paladar, olfato, visão, tato e audição e também enviando vibrações positivas para toda a cadeia alimentar (o solo, o sol, a chuva, quem planta, quem colhe, transporta, vende, prepara...). Essa energia positiva influenciará a qualidade dessa refeição e nos permitirá fazer escolhas tecnicamente adequadas em relação à quantidade e combinação de grupos alimentares.

Estou com fome? Por que estou comendo? O que estou comendo? Estou feliz? Triste e ansioso?

A consciência alimentar é o caminho para quem quer perder ou ganhar uns poucos quilos, e também é o caminho para quem precisa perder 35 quilos. A caminhada começa com o primeiro passo e não importa quanto tempo será necessário para alcançar o objetivo final – o fundamental é que a direção esteja correta e que o caminho seja prazeroso e rico em experiências.

Quando perdemos a concentração ou comemos demais, apenas começamos novamente. Cada garfada, cada refeição, é uma chance para recomeçar.

Voilá!

Nutrição Ayurvédica

A Nutrição é uma ciência exata. Ela desvenda a interação dos nutrientes provenientes da dieta com a nossa saúde física de uma forma matemática: cada grama de carboidrato e proteína equivale a 4 Kcal, de gordura 9 Kcal e de álcool 7 Kcal. Por meio de exames clínicos é possível “vasculhar” o nosso organismo até identificar exatamente quais nutrientes estão sendo ingeridos adequadamente e quais não estão. Podemos, então, adequar a dieta e até suplementar os nutrientes em forma de cápsulas e o corpo estará devidamente – quimicamente - nutrido.

A Ayurveda vai além, complementando a matemática. Ela preconiza que o corpo é o nosso templo – o instrumento de expressão dos talentos da nossa alma e é por meio dele que a nossa consciência pode se manifestar – não há outro veículo. O alimento deve nutrir o funcionamento bioquímico do corpo que por sua vez abrigará e dará suporte energético para mente e a consciência.

O nosso corpo físico se alimenta de sólidos e líquidos, e o nosso corpo sutil (a nossa consciência e mente) se alimenta das vibrações percebidas pelos 5 sentidos. A respiração fornece energia vital para os dois corpos. Portanto, uma refeição completa é aquela saboreada com a participação dos 5 sentidos, da atenção plena e da respiração consciente.

Cada alimento apresenta um ou mais sabores que estão relacionados com sensações e sentimentos. São reconhecidos seis sabores (doce, amargo, adstringente, picante, ácido e salgado) identificados pelo cérebro por meio da língua que é um órgão dos sentidos sofisticadíssimo.

O sabor doce é nutritivo, tônico e rejuvenescedor. Harmoniza a mente e está relacionado ao sentimento de contentamento. Em excesso, causa letargia e apego (leite, nozes, frutas doces, arroz).
O ácido é estimulante, digestivo, aumenta o apetite e é carminativo (ajuda a dissolver gases). Ativa o metabolismo e as funções cerebrais. Desperta a mente e os sentidos. Em excesso, causa raiva, impaciência e inveja (iogurte, pickles, vinagre).
O salgado é digestivo, aumenta o apetite, promove a salivação, é levemente laxativo e potencializa o sabor dos alimentos. Acalma os nervos e diminui a ansiedade. Em excesso causa letargia, cobiça, raiva e impaciência (sal, algas).
O picante é estimulante, aumenta o poder digestivo, é diaforético (promove suor), expectorante, vermicida e aumenta a circulação. Limpa os canais energéticos. Em excesso, causa raiva e impaciência (pimentas, gengibre, cardamomo).
O amargo é desintoxicante, bactericida, germicida e limpa o sangue. Purifica a mente e as emoções. Em excesso, causa ansiedade, medo e insônia (hortaliças, chá verde).
O adstringente promove a absorção dos fluidos, é antiinflamatório, seca secreções excessivas e sangramentos. Esfria a mente e remove a letargia. Em excesso, causa ansiedade, preocupação, medo e insônia (grãos, alface, açafrão-da-terra, aspargos).

Uma dieta equilibrada deve ser variada, com o fornecimento de todos os sabores.


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Este e outros textos muito bons de Marise Berg  sobre ayurveda e alimentação estão disponíveis no seu excelente blog www.ayurvedicamente.blogspot.com


namastê!

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