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quinta-feira, 23 de março de 2017

Ghee vegetal? Não é ghee de verdade e nem sempre é do bem.


Tenho recebido muitas perguntas sobre o tal do “ghee vegetal”, então decidi escrever este texto sobre o assunto para o Yamuna Artesanal. Informação liberta! E para escolher que alimento ou produto colocar na sua mesa é preciso primeiro conhecer as diferenças entre o ghee verdadeiro e o ghee vegetal. Vamos lá?
ghee não é uma gordura de origem vegetal - ele vem da manteiga da vaca. É um alimento ancestral utilizados pelo nossos antepassados a milhares de anos. Quando o Yoga chegou no ocidente junto com a Medicina Tradicional Ayurvédica passou a ser conhecido, estudado e consumido primeiro pelos Yogis e depois pela galera interessada em alimentação vegetariana e culinária saudável. Mas foram nos últimos cinco anos, que a manteiga ghee, acompanhada de dezenas de pesquisas na área da nutrição caiu nas graças dos nutricionistas, esportistas e simpatizantes das dietas “Paleo” e “Low Carb”. Graças a estudos lindos, acordamos e descobrimos que as “histórias da carochinha” contadas pela grande indústria alimentícia sobre gorduras saturadas – de origem vegetal ou animal, eram uma grande jogada de marketing para empurrar gordura hidrogenada junto com o fator trans goela abaixo da população mundial. Por aqui eu já adiante que esta onde de "ghee vegetal" está no pacote do oportunismo da nova onda do momento. Quer saber mais sobre este assunto? Nas referências deste texto você encontra alguns links de estudo sobre o perigo gordura trans.
Está bem, mas e o ghee vegetal?
Calma! Antes de começar a falar da composição do “ghee vegetal” quero dizer que ghee vegetal” não existe. Não, não existe! Assim como não existe carne vegetal nem leite de cerais, nem mel vegetal. Quem inventa estes nomes para aproveitar o mercado de consumo de produtos do bem deveria ser no mínimo mais criativo não acham? Este é o  mercado desleal com o consumidor e não vou nem entrar na discussão sobre apropriação cultural, por isso te convido a um breve momento há 10 mil anos atrás, para as origens do ghee verdadeiro.

domingo, 19 de março de 2017

Onde comprar manteiga Ghee (ghi) ou manteiga clarificada?



Ha mais de 10 anos que fazemos ghee, e nos últimos 4 anos, eu e meu companheiro, juntamente com pessoas especiais desenvolvemos um método muito legal de produzir ghee. Estamos dedicando nossas vidas a essa produção agora.

Trabalhamos exclusivamente com manteiga de gado de pastagem, sem alimentação por ração, ou seja: de gado que come exclusivamente capim (grassfed ghee). Vacas felizes!

Isso é muito bom, porque nossos produtores fazem a manteiga fresquinha, que chega até nós no dia seguinte e já colocamos na panela. E fazemos com muita calma e amor. Processo leva aproximadamente 4 dias para o nosso ghee ficar do jeito que gostamos, puro e com sabor suave.

Para conhecer mais desse superalimento e comprar através de nossa loja virtual, por favor visite www.yamuna.com.br.

Namastê!!!





terça-feira, 10 de setembro de 2013

Viver Ayurveda - Wokshop com prof. Arjun Das




terça-feira, 16 de julho de 2013

Nutrição Ayurvédica

Para quem tem interesse em se aprofundar e se deliciar nas possibilidades gastronômicas ayurvédicas, aqui fica a dica do curso que as meninas do Espaço Cardamomo estão preparando para agosto. 
Bom apetite!



quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Ayurveda - Globo repórter


Natureza está presente na forma como a sociedade indiana cuida da saúde
O diagnóstico é feito através de técnicas antigas. Nada de consultas rápidas. Médico e paciente trocam informações em longas conversas. Esta é a medicina Ayurveda.
             O poder do dia e do verde para restaurar o corpo. A equipe do Globo Repórter foi a uma área de repouso - em um hospital - em Coimbatore, sul da Índia. Um centro médico bem diferente dos que existem no Brasil. Remédio? Tratamento? Lá, o sistema é outro.
           A natureza está presente na forma como a sociedade indiana cuida da saúde. Descanso e silêncio são fundamentais para o bem estar. A sabedoria milenar transmitida por gerações está viva em métodos de cura. Métodos naturais e muito relaxantes. Para dores nas costas, a queixa mais comum, massagens com óleos extraídos de plantas. Ou compressas de trouxinhas de arroz cozido mergulhadas em leite quente. E "yoga" - receitado como tratamento para grande parte dos pacientes. É o fortalecimento do corpo e da mente - na luta contra as enfermidades. O diagnóstico é feito através de técnicas antigas. Nada de consultas rápidas. Médico e paciente trocam informações em longas conversas. Esta é a medicina Ayurveda.

Nós tratamos o paciente e não a doença.
 Este é o princípio do Ayurveda. Duas pessoas que vem aqui com a mesma queixa, com o mesmo diagnóstico, podem receber duas prescrições diferentes, dois tratamentos diferentes e até mesmo duas dietas diferentes”, afirmou Unniappan Indulal, médico.

           A dieta é uma parte muito importante do tratamento. O ideal é que cada refeição tenha alimentos de sabores vaiados: salgado, doce, amargo. E tudo isso pode ser acompanhado por uma bebida, de preferência na mesma temperatura da comida. As porções são pequenas, mas bem dosadas. Para o Ayurveda, comida demais pode ser um veneno para a saúde. Na cozinha, tudo é preparado na hora. Um cardápio leve, à base de legumes, sem carnes e nem frituras. Mas o doutor alerta: nenhum alimento é proibido. “Não há nada que seja universalmente bom ou ruim. Para algumas pessoas, até o álcool pode agir como medicamento ao passo que para outras, a menor das doses, pode ser prejudicial. Então, a carne vermelha também pode se tornar um medicamento. Tudo depende da condição do paciente, da frequência com que consome e do tamanho da porção”, explicou o médico.
           Syamala Jayeram sofre com dores nas juntas. Aos 61 anos, a bancária aposentada vinha se tratando com remédios ocidentais. A melhora foi rápida, mas não duradoura. Os medicamentos causaram problemas no estômago e as dores voltaram meses depois. Agora, ela optou pelo Ayurveda - um tratamento onde não se pode ter pressa. “Se você tiver tempo e tiver paciência, você pode vir para o Ayurveda. Porque aqui o processo é demorado, mas vai te curar melhor e por um longo período”, disse Syamala Jayeram, aposentada. O médico dela, o doutor Shiva, explica que esta medicina tem como primeiro objetivo prevenir o mau funcionamento do corpo. Através de dieta e atividade física. O paciente precisa se conhecer muito bem e construir um estilo de vida harmonioso. Mesmo quando a vida moderna traz estresse e impede o descanso e a alimentação nutritiva.

“O Ayurveda aconselha um estilo de vida bem regrado. De manhã até a noite. 
Acordar cedo, com o nascer do sol, cuidar da higiene, ter as refeições nos horários 
certos - café da manhã, almoço e jantar - e dormir sempre no mesmo horário. 
Este é o segredo da boa saúde”, ressaltou Shiva Prasad, médico.

           Na farmácia do hospital, o médico nos mostra as fórmulas naturais para reequilibrar o organismo. Em cada frasco, combinações de raízes, sementes, folhas. No Ayurveda, há nove categorias de medicamentos. Entre eles, óleos e xaropes. Nesta fábrica, são produzidos 500 tipos de remédios naturais. E o faturamento passa de R$ 1 milhão por mês. Mas boa parte das formulações é preparada lá mesmo, no hospital. O laboratório lembra uma cozinha. Mais de mil espécies de plantas são usadas nas fórmulas do Ayurveda. Algumas crescem em jardins, mas muito do que é usado - cerca de 80% - vêm de matas nativas concentradas principalmente no sul da Índia.
           Nesta medicina indiana, para manter a saúde em bom estado, o lado espiritual não pode ser esquecido. No templo que fica dentro do hospital, um ritual marca o início dos tratamentos todas as manhãs. A equipe do Globo Repórter fez questão de participar. É um ritual para afastar as doenças e garantir a boa saúde. Ele é feito a pedido dos pacientes que ficam sentados em volta. Mas as preces vão para todos os enfermos lembrados, enquanto óleos e ervas são queimados na fogueira. Apesar da ligação com os rituais, o Ayurveda não é uma religião. Desenvolvido a partir de textos escritos há cinco mil anos, ele é tratado pelos estudiosos como uma ciência.Segundo Krishna Kumar, diretor do hospital, pesquisadores do mundo todo têm testado e aprovado os métodos. A repórter Cláudia Bomtempo pergunta a ele se, com tantos avanços na medicina, o método indiano não ficou ultrapassado. Para Krishna Kumar, o Ayurveda ainda é o que há de melhor para o homem moderno. “Nas grandes cidades, se você prestar atenção, há sempre uma multidão correndo de um lado para o outro. Pare estas pessoas e pergunte: por que? A maioria não vai saber responder porque corre tanto. Hoje, as pessoas estão se dando conta disso e querem voltar às raízes”, disse Krishna Kumar, diretor do hospital. 
           Tão antigo e tão atual. A procura pelas terapias tradicionais tem crescido na Índia. No hospital, todos os chalés estão reservados até o fim do ano que vem. Alguns pacientes vêm de longe. Satish é empresário e mora nos Estados Unidos. Há dois anos, iniciou um tratamento para curar problemas digestivos e dores nas costas. A cada ano, passa um período no hospital para revisão. Desta vez, aproveitou também para fazer um tratamento estético - uma pasta feita de uma combinação de raízes está melhorando a pele que costumava ficar muito seca e rachar. O empresário conta que precisou mudar a dieta e diminuir a correria e estresse. E que, agora, sente-se muito melhor. “A sensação do Ayurveda é difícil de explicar. É como estar flutuando em uma nuvem. Você se sente relaxado. Ele age no corpo e na mente. E quando os dois estão em equilíbrio, você se sente no céu”, ressaltou Satish Daryanani, empresário.


Esta reportagem foi ao ar no dia 30/11/2012, o vídeo e o texto (acima) desta reportagem estão disponíveis em:  http://g1.globo.com/globo-reporter/noticia/2012/11/natureza-esta-presente-na-forma-como-sociedade-indiana-cuida-da-saude.html



terça-feira, 24 de julho de 2012

Garbha Samskara

Ayurveda e Hatha Yoga na gestação

Se você vai ser mamãe e está mergulhando neste mundo, vale a pena aparecer no Yoga Luz!




terça-feira, 29 de maio de 2012

10 Motivos Para Amar a Naturologia

Texto de Rafael Nova


10 Motivos Para Amar a Naturologia 

No Brasil, na década de 90, aconteceu uma intensificação na busca pelas terapias naturais. Nesse período muitas técnicas chegaram ao Brasil, e por uma necessidade de mercado logo surgiram os cursos de Nível Superior para atender a demanda. Nasciam aí os primeiros profissionaisNaturólogos. 

Contudo, a Naturologia tem se consolidado não só como um agrupado de terapias naturais para atendimento em saúde, mas como uma nova proposta de cuidado. O diferencial desta profissão é o modo como enxerga e trata os seres: dentro de uma perspectiva holística. 

A seguir, veja 10 motivos para começar a amar a Naturologia e conheça um pouco mais sobre essa fascinante e nova área de conhecimento:


10. A Proposta 

A Naturologia propõe integralidade. Ela enxerga saúde como algo que vai além do corpo: inclui as emoções, o estado mental, as relações sociais, a energia, etc. 

O foco não está nas patologias e sim no bem estar. Ao tirar o olhar da patologia e levar para a pessoa, diversos tipos de queixas podem ser tratadas, em qualquer idade – crianças, jovens, adultos, idosos. 

Você pode procurar um Naturólogo diante de qualquer mal estar. Ele te ajudará a compreender as origens desse mal estar e como ele está afetando as outras áreas da sua vida. Tudo está interligado.  

9. A Complementariedade

A Naturologia não se apresenta como alternativa a nenhum tratamento médico, ou a outros profissionais. Sua ação é complementar, e por isso mesmo potencializadora. 

O Naturólogo consegue perceber as relações entre as informações que as demais áreas da saúde coletam, e orientá-las para um tratamento mais eficiente. É asinergia. 

Em casos crônicos, as técnicas e a visão da Naturologia podem ajudar a melhorar os quadros e a qualidade de vida. Em situações comuns, pode apoiar os tratamentos convencionais oferecendo recursos extras e naturais. 


8. A Singularidade 

Embora exista uma conexão entre todos, cada indivíduo é único. Ao recebê-lo em seu consultório, o Naturólogo vai avaliar e conhecer você, seu corpo, sua vida. 

Essas informações preciosas orientam o tratamento. Ele é feito para você: sua personalidade, sua constituição. Por não focar em doenças, queixas semelhantes podem ter tratamentos bem diferentes. 

O termo “personalizado” ou “customizado” parece se adequar à ideia. A sua manifestação é singular, e merece ser considerada como uma parte determinante no modo como sua saúde é tratada. 



7. O Atendimento 

Os atendimentos comumente incluem uma conversa terapêutica e uma aplicação prática. Alguns aplicam o termo “Sessão de Interagência” para designar essas atividades, e "Interagente" para se referir à pessoa atendida. 

Você é convidado a participar com suas ideias, impressões e opiniões a todo o momento. É o feedback que orienta a terapêutica, e ajuda a revelar os resultados. 

Ampliar a percepção do indivíduo ajuda-o a ver coisas novas no que parece já tão consolidado. Isso facilita a encontrar maneiras de recuperar o bem estar, e a entender melhor você mesmo e o outro. 

6. O Profissional 

Ser atendido por um Naturólogo é uma experiência única. Comumente são pessoas criativas e acolhedoras, bastante atentas ao que você está falando e também ao que você não fala, mas comunica através dos relatos, ações e posturas. 

Ele também é um questionador e um problematizador, de modo a ajudar você a pensar mais sobre sua vida. 

Conforme escolhe as práticas mais adequadas, ele o encoraja a experimentar o novo e a ter autonomia. O Naturólogo também realiza uma troca de experiências, que contribui para a interação e o crescimento de ambos. 

5. A Natureza 

Todos conhecemos a sensação de sair de uma cidade grande e cinza, e encontrar um campo, uma praia, ou um ambiente repleto de verde. Desde muito a natureza inspira paz e refazimento. 

A Naturologia utiliza recursos naturais como plantas medicinais, cores, arte, música, o toque, a energia, entre outros. Elas reproduzem a sensação de estar “em casa”, e nutrindo nossas raízes humanas. 

Além disso, ao ajudar você a se perceber melhor, você também passa a conhecer sua própria natureza. Como seu corpo funciona, suas emoções, reações, potenciais, e defesas. 

4. O Autoconhecimento 

Muitas vezes não nos damos conta, mas repetimos padrões ao longo dos anos, que nem sempre nos fazem bem. Às vezes eles nos sabotam e vão minando nossas relações e nossa saúde. 

Embora separemos com a finalidade de estudar, corpo, psique, energia, formam um conjunto. Nossas atitudes refletem em nosso corpo, e até mesmo nossas emoções podem gerar doenças físicas. 

Saber quem você é e como você é, pode não só trazer mais poder de escolha, mas também um sentido para suas experiências de vida. A Naturologia apoia e auxilia no autoconhecimento não só pela conversa, mas pela experiência através das terapias naturais. 

3. A Qualidade de Vida 

Pessoas com doenças físicas podem ter sua qualidade de vida prejudicada. Contudo, pessoas com doenças físicas podem também ter uma qualidade de vida superior àquelas consideradas fisicamente “saudáveis”. 

Qualidade de vida não é apenas a condição do seu organismo, mas envolve um mundo de relações, disposições e percepções. Você pode sentir um bem estar independente de estar, ou não, manifestando alguma patologia. 

A Naturologia se envolve intimamente com a qualidade de vida do ser humano, seja a nível individual ou coletivo. É um dos objetivos nos atendimentos realizados pelo Naturólogo. 


2. A Vitalidade 

Os médicos chineses falavam do Qi, os médicos da Índia sobre o prana, os xamãs se referiam ao mana. Muitas culturas identificaram e mencionam um tipo de energia vital que permeava o organismo. 

A condição desta energia se refletia no funcionamento dos órgãos. Ela poderia sofrer baixas, bloqueios e altas. Além disso, foram criadas técnicas para sua manipulação. 

O atendimento Naturológico procura avaliar também suavitalidade – seu ânimo e disposição para realizar as coisas. A energia vital do seres e ambientes é um dos importantes fatores da saúde integral. 


1. A Saúde

Para a Naturologia, ser saudável é se sentir bem, compreender as mensagens que nos chegam pelo corpo ou pelos acontecimentos da vida. É estar orientado e em desenvolvimento. 

A vida é uma continuidade de fatos e fases, e a adaptação é uma maneira de ter saúde. Mas não apenas se adaptar para sobreviver, e sim viver com gosto, com ânimo e realização. 

O Naturólogo busca desenvolver esta saúde junto do seu Interagente, ou onde quer que atue. É um modo ampliado de ver e compreender a si mesmo, de saborear a existência.



- Rafael A. L. Fonseca 
Naturólogo, avalia e trata a distância pessoas, casas e ambientes.
Contato: rafaelnaturologia@gmail.com.
responsável pelo excelente blog www.rafaelnova.com





quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Gestando




O blog tem andado um pouquinho parado nos últimos meses, estou ensaiando muito textos mas este 
momento é de cuidado e doação. 
Gestando a quase 7 meses um novo ser, neste momento toda minha energia está para meus interagentes em tratamento e para a preparação da chegada do meu segundo filho.
Anseio logo por responder e-mails com dúvidas mais rapidamente e voltar a postar o conhecimento sagrado da Ayurveda - meu trabalho, meu caminho. O processo gestacional é acompanhado não apenas de 
mudanças físicas, mas também intelectuais: quanto mais perto do parto, menos o cérebro lógico e a mente racional é ativa, por esta razão apenas vos inspiro com esta imagem.
Namastê!




quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Navaratri

adoração a grande Deusa, à mãe divina

Ontem na índia teve o início de uma celebração de nove noites dedicado à grande mãe divida, à grande Deusa. O Navaratri, marca o inicio de uma nova estação - para nós a primavera, e nestas nove noites especiais três grandes deusas são celebradas: Kali, Lakshmi e Saraswati. Cada uma destas deusas tem o poder de evocar em nosso inconsciente símbolos sagrados de transformação, abundância e conhecimento. Dedicar alguns momentos nestes dias especiais à reverência destas forças femininas promove um contato sutil e profundo de identificação com o poder que cada uma simboliza, iluminando e desabrochando aspectos de nós mesmos que podem estar escondidos ou esquecidos.


Ontem, hoje e amanhã (28,29 e 30/09) invocamos Kali Ma, a deusa negra de destruição. Nos conectamos com o poder presente dentro do nosso ser de transformar e purificar nossas consciências, limpando e removendo o que não serve mais e assim abrimos caminho para a entradas das outras deusas em nossas vidas.

Após purificar, invocamos do quarto ao sexto dia do Navaratri, Lakshmi a deusa a abundância. Pedimos mais do que riquezas materiais, pedimos abundância e prosperidade em todos os aspectos de nossas vidas.



Purificadas e nutridas, do sétimo ao nono dia, chamamos Saraswati, deusa do conhecimento e pedimos a ela que nossa caminhada seja repleta de discernimento, clareza, verdade e arte. Saraswati traz como símbolo um cisne branco que mitologicamente tem o poder de separar o leite caído em água com lodo. No dia que se segue o Navaratri, celebra-se a deusa em todas as suas formas.


Minha reverência a todas as formas da Deusa!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Sisira e Hemanta Ritucharya

Rotina e alimentação ayurvédica durante o inverno



Observar as mudanças na natureza e suas influencias no metabolismo do corpo e na qualidade da  mente são essenciais para a Ayurveda. Cada estação do ano trás consigo características únicas que causam mudanças diretas não apenas no clima do planeta,  mas também no corpo humano. Percebendo a profunda influência do clima em nosso organismo o ayurveda propões mudanças em nossa rotina e alimentação.  Ritucharya é o nome dado pela Ayurveda aos cuidados e mudanças em nossa alimentação e rotina observando a influência das estações do ano: Ritu significa estação e charya movimento. Na visão védica, o inverno é dividido em duas partes - hemanta ou início do inverno e sisira referente ao final do inverno. Cada metade também possui suas recomendações específicas para cada indíviduo e de acordo com seu dosha predominante. 

As estações do ano exercem grande poder sobre os humores do corpo: assim como tudo no universo, nosso corpo é permeado pelos cinco elementos fundamentais que coordenam as funções do organismo e, da mesma maneira que os alimentos influenciam a harmonia destes elementos através da energia dos seis sabores, os atributos que recebemos nas variações sazonais podem nos beneficiar doando atributos que nos são necessários ou mesmo nos desequilibrar, agravando qualidades que já estão em excesso. No pensamento ayurvédico, oposto cura oposto e semelhante agrava ou aumenta semelhante e, a partir deste princípio é que se escolhe o que se deve colocar no prato. 
O inverno é a estação marcada pela máxima distância do sol em relação  a terra, que passa a receber intensa influência lunar nesta faze. Já escrevi sobre esta relação em outro post, mas volto a citar para melhor compreensão desta inteligência proposto pelo ayurveda:  Para compreendermos um pouco de como funciona a alimentação ayurvédica de acordo com as estações do ano, devemos primeiro voltar nosso olhar para fora do nosso planeta e perceber sua relação com o sol.  O sol é como o agni (o fogo digestivo) da terra e é ele que tem o poder de aquecer e secar o planeta. Quem estuda Ayurveda, sabe da grande importância de termos sempre um agni forte e pronto para promover transformação não apenas dos alimentos mas também de todas as impressões captadas pelos cinco sentidos – pois também é funçã do agni. Quando este fogo orgânico está deficiente o corpo esfria, e ama(toxinas) pode ganhar terreno para começar a ser espalhar, principalmente se a dieta não está adequada. Da mesma forma acontece na relação do sol com a terra: no inverno a terra se afasta do sol e tende a ficar mais úmida e fria - características do dosha kapha e também de ama. Esta mesma influência pode ser observada no corpo humano: na estação kapha o metabolismo fica mais lento, o corpo esfria com rapidez provocando o aumento de características e desequilíbrios de natureza kapha no organismo. Naturalmente buscamos no inverno alimentos mais quentes a reduzimos a ingestão de saladas cruas para contrabalancear as qualidades do clima.

Inverno: estação vata-kapha

Hemanta: a metade vata
Como dito anteriormente, o inverno é dividido pela ayurveda em dois periodos, o primeiro logo após o outono é chamado de hemanta. Neste período o dosha vata ainda é predominante e tende a intensificar estas características pela redução acentuada da temperatura. Em hemanta é recomendado uma dieta que não agrave vata mas que também prepare o corpo para a chegada dos atributos kapha. Então neste ponto estamos vindo do outono cujo período recomenda-se o aumento dos sabores doce e ácido. Quando o frio começa a intensificar, reduz-se um pouco do sabor doce e acrescentamos um pouco dos sabores amargo e picante. Se o inicio do inverno for marcado por chuvas, deve-se aumentar também o sabor adstringente.
(acima, tabela referente a primeira metade do inverno: hemanta)

Sisira: a metade kapha
Neste período as características lunares se acentuam e as características do inverno acentuam. A estação agora é essencialmente Kapha: os elementos em abundância neste período são a água e a terra que trazem consigo os atributos  frio, pesado, lento, pegajoso e escuro. Assim o olhar sobre estas  características devem ser levados aos alimentos e rotina, afim de ser evitados.  De uma maneira geral a ayurveda recomenda uma dieta de inverno anti-kapha: quente  e com quantidade não excessiva. Deve-se aumentar a ingestão dos sabores picante, amargo e adstringente, moderar o sabor ácido e evitar/reduzir os sabores, doce e salgado. Alimentos  frios, pesados e de característica pegajosa (como queijos) também devem ser evitados. 


(acima, tabela referente a segunda metade do inverno: sisira)

Ajuste sua dieta no inverno: dieta quente, leve, nutritiva mas pouco oleosa ...
Mas a indicação da quantidade de cada sabor varia para início e  final do inverno. Esta é a estação onde o dosha kapha se acumula, o dosha pitta alivia e o dosha vata agrava. Pessoas de natureza kapha devem ter cuidado redobrado nesta estação para não acumular mais o dosha, afim de que não tenham problemas no inicio da primavera, estação onde kapha extravasa na forma de alergias, renites e sinusites.

**Para compreender melhor as relações entre os elementos, alimentos e doshas, recomento a leitura do post Vasanta Ritucharya (ritucharya de primavera), onde você encontra quadros explicativos que relacionam os sabores aos doshas e aos alimentos, e das tabelas de alimentação especifica para cada dosha disponíveis na sessão "alimentação ayurvédica" deste blog. Boa leitura!

Recomendações gerais: 
- No inverno os dias são mais curtos e as noites mais longas, prefira sempre dormir quando o sol já se recolheu e evite dormir durante o dia ou em demasia;
- Pratique atividades físicas para aquecer o corpo e não se exponha ao frio sem proteção. 
- Banhos de sol diários por 30 minutos fazem parte de uma rotina para aumentar a vitalidade e o poder digestivo na estação fria.
-Aqueça seus alimentos com o calor das especiarias: mostarda, gengibre, pimentas, cominho, cravo, cardamomo e canela 
- Especiarias adstringentes e amargas ajudam a equlibrar pratos mais pesados (cremosos) típicos do inverno: feno-greco, cúrcuma..
- Tome mais chás digestivos e sopas.
- Adicione mel na sua dieta, ajuda a diregir kapha (leia mais sobre o mel e ayurveda aqui)

Além da mudança de rotina alimentar, durante o inverno a ayurveda ensina que é um período muito propício para as terapias de shamana ou pacificação. Outras terapias ayurvédicas estimulantes e que removem o excesso do dosha kapha como o udwartna – massagem abhyanga com pó de ervas e o garchana – massagem com sal, cânfora e luva de seda. Terapias que promovam suor e calor como o swedana e o pinda sweda são recomendados na estação. 

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Formação em Yoga


" O ayurveda é o ramo curativo da ciência yogue. 
O Yoga, por sua vez, é o aspecto espiritual do Ayurveda. 
O Ayurveda é o ramo terapêutico do Yoga."
David Frawley




(clique na imagem para ampliar)

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Beleza Ayurvédica

olhando mais de perto

Saúde e beleza estão intimamente ligados na visão ayurvédica. Quando os elementos fundamentais (doshas) que formam o corpo físico estão em harmonia com nossa constituição original (prakritti) e a mente e o intelecto estão claros, expressão saúde plena e  permitem que este equilíbrio se manifeste ao mundo externo, transmitindo qualidades que transbordam pela pele, pelos cabelos e pelo brilho do olhar: a beleza. Neste contexto, a ayurveda considera o meio externo como reflexo do meio interno e por esta razão não indica tratamentos e terapias que visam apenas despertar o aspecto exterior e observa três nuances em relação a expressão e presença da beleza verdadeira: o aspecto interno, o externo e o aspecto “secreto” ou mágico. 

O fator externo da beleza é percebido na textura e consistência da pele, na luminosidade e força das unhas, dentes e cabelos, na coloração dos lábios, na postura física e graciosidade dos movimentos podendo ser desenvolvido através de práticas físicas, de terapias externas como massagens, lepas, banhos e todos os rituais de beleza que utilizam elementos puros oferecidos pela natureza. 
O aspecto interno pode ser observado na vitalidade e na imunidade do indivíduo, conquistados através das escolhas diárias e de rotina próprias para o biotipo: alimentação, ervas, terapias pacificadoras (shamana), rotinas de limpeza e desintoxicação, etc. 
O terceiro fator, “secreto” ou “mágico” pode ser reconhecido no brilho do olhar, na sensação de conexão com o “eu interno” e com a natureza, no magnetismo pessoal, na clareza mental e na força do “ser”. Este terceiro aspecto é desenvolvido através da meditação, das terapias promotoras de auto-conhecimento e paz, do contato com a natureza e da relação íntima com seus elementos puros. Esta condição pode ser fortemente influenciado por práticas como a cromoterapia, a gemoterapia (uso de cristais e pedras preciosas), o uso de florais e aromas, e de todas as terapias que dão suporte ao processo de auto-conhecimento.


Presentes da natureza
A ayurveda oferece dezenas de compostos orgânicos a base de ervas, frutas, legumes, óleos vegetais e essenciais, mel, ceras, manteigas, cereais, argilas, pedras preciosas e leites para potencializar a beleza da pele, cabelos e unhas. Estes ingredientes naturais além de tratar o corpo físico tem a capacidade de influenciar aspectos sutis e energéticos de nossos corpos. Faz ferramenta apenas de recursos naturais, animais e vegetais e preconiza que só devemos passar na pele e cabelos o que podemos colocar dentro de nossas bocas. Considera ainda o potencial energético de todos os elementos utilizados dentro dos tratamentos externos e não unicamente o poder bioativo.

Para o ayurveda, a beleza acontece de dentro para fora mas também pode ser influenciado por rituais de beleza externos, por isso um tratamento de beleza ayurvédico compreende terapêutica para todos estes fatores: orientações alimentares, uso de ervas e rotina diária, procedimentos como massagens com óleos medicados, leites e cereais, exfoliações com pós de ervas, pastas medicinais com argilas, mel e outros elementos naturais, saunas aromáticas e máscaras faciais terapêuticas. 
A ayurveda nos orienta plenamente a tecer atitudes de consciência e responsabilidade e acredita que apenas nutrindo bons hábitos de forma global bordamos beleza aos nossos corpos e nos tornamos mais saudáveis e conectados com o meio em que vivemos, com nossas mentes e corpos e também com o nosso espírito.


Ritual de beleza:
conectando com a vitalidade
Eleja um dia espeacial, uma tarde ou uma manhã, pode ser em casa ou com um terapeuta orientando ou te presenteando com um tratamento. Reserve alguns minutos para de observar, primeiro externamente em frente a um espelho: quem sou eu? O que a minha pele diz sobre mim? Depois leve o olhar para dentro fechando os olhos e conduzindo a atenção para a respiração por alguns minutos. Abra o olhos e inicie seu ritual:
Presenteie o cabelo e a face com uma máscara de mel por 30 minutos fazendo uma leve e carinhosa massagem com movimentos circulares usando a ponta dos dedos. Tome um banho com ervas, espalhe um óleo aromático pelo corpo próprio para seu biotipo e vista-se para um encontro especial: a sua divindade interior. Caminhe descalço na luz do sol ou sob a luz da lua invocando a sua beleza e nutrindo-se de tudo que a natureza generosamente te oferece todos os dias. Agradeça sempre.  

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Madhu

Mel, riqueza das abelhas


O mel ou madhu em sâncrito é uma substância de profundo valor terapêutico para ayurveda  que o acrescenta aos compostos fitoterápicos para promover e potencializar a absorção das ervas e seus ativos pelos tecidos do corpo (yogavaha). Doce e levemente adstringente (característica que acentua com o seu envelhecimento) é extremamente nutritivo e doador de vitalidade.  É leve, sutil, morno e um pouco seco. Pode ser consumido diariamente para aumentar a vitalidade e apesar de ser um alimento indicado principalmente para tratar desequilíbrios de natureza kapha pode ser usado pelos outros biotipos. Para pessoas de constituição kapha (água e terra), aconselho utilizar um mel mais antigo como rotina matinal diluído em água morna (nunca quente) e gotas de suco de gengibre fresco; pessoas de biotipo Pitta (fogo e água) podem consumir o mel puro. As pessoas de natureza Vata devem preferir um mel jovem e podem acrescentar gotas de limão e gengibre fresco.

Externamente, o mel é um poderoso cicatrizante e regenerador de tecidos e pode ser aplicado também sobre queimaduras e ferimentos.  Produzido a partir do néctar ou essência das flores é um alimento satwico, tão rico quanto sutil:  quando consumimos o mel ele penetra também em nossos canais sutis (nadis), nutrindo-os com vitalidade. Segundo a ayurveda ele estimula o desenvolvimento do intelecto e da força de caráter, além de ser um poderoso antídoto contra venenos físicos e sutis. 

O mel pode ser utilizado em muitas condições de excesso de kapha: pra fluidificar excesso de muco e catarro, para auxiliar na redução da retenção de líquidos e inchaço (internamente e externamente), controlar diabetes e auxiliar no combate a obesidade. Desequilíbrios como bronquite, asma, artrite, infecções renais e resfriados também podem ter o mel como aliado na cura. Gargarejo com mel e cúrcuma é excelente para dores de garganta e amigdalites sem placa bacteriana. Segundo Maya Tiwari (Ayurveda: Secrets of healing) o mel pode ser usado diluído em água morna para tratar problemas nos olhos como coceiras, sensação de queimação e cansaço. Também internamente contra úlceras – visto suas propriedades cicatrizantes e como tônico em casos de convalescência e desvitalização em pessoas de natureza vata, devendo ser ingerido com leite e especiarias levemente picantes como cardamomo. Nunca deve ser aquecido pois a elevação de sua temperatura torna-o tóxico e rajasico (qualidade que perturba a mente). Como tônico capilar e para combater a calvice, deve-se misturar em partes iguais de mel, óleo de gergelim, côco ou amêndoas massageando bem o couro cabeludo. Dica: faça esta prática a noite e permita que o composto aja durante a noite, lave o cabelo pela manhã.

Ritual de beleza
Batom lábios de mel
1 colher de sobremesa de mel jovem
1 colher de sobremesa de manteiga de cacau, karité ou cupuaçu - pode usar ghee também, mas fica mais mole.

Derreta a manteiga de cacau (ou a base que você escolheu) em banho maria, quando estiver quase querendo endurecer acrescente o mel e misture bem. . Coloque em um potinho e passe quantas vezes ao dia você senitr necessário. Pode colocar na geladeira para endurecer. No outono em dias de vento forte, pode passar mais vezes.

Quer colorido? adicione beterraba em pó ou urucum. Batom 100% natural, sem petroquímicos e sem testes em animais.


sexta-feira, 1 de abril de 2011

Yoga Massagem Ayurvédica

Formação com Silvia Nicotari e convidados





quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

O Intestino

sede de vida

A saúde do intestino grosso e a vitalidade do nosso organismo caminham de mão dadas – diria que atadas. Não é de espantar que o ínicio de todo tratamento ayurvédico preconiza a regulação intestinal. Para a ayurveda o cólon é a sede do dosha vata, onde todos os desequilíbrios nos outros doshas tendem a nascer. Iniciam em vata, pois é o elemento que coordena de forma inteligente através do sistema nervoso os outros elementos. Vata é o cólon. Quando vata está desequilibrado desencadeia uma série de problemas de saúde físicos e psíquicos. 


O cólon além de ser um órgão de limpeza e excreção de resíduos do organismo possui um complexo sistema regulador que suporta a flora intestinal. Este conjunto inteligente de bactérias está presente em seu interior e é responsável pela harmonia de funções digestivas, endócrinas e imunológicas além de trabalhar no processo  de absorção de nutrientes. Uma verdadeira central de inteligência com profunda responsabilidade pela saúde integral do organismo.
O intestino, é considerado um núcleo de funções psíquicas, sendo que 95% da serotonina, substância responsável pela sensação de bem estar é produzida em seu interior. Quando desequilibrado interfere na capacidade de tomar decisões e sintomas como  instabilidade, medo e insegurança, sensação de exaustão mesmo após descanso, hiperatividade e déficit de atenção são sintomas comuns de serem observados. Tristeza e depressão também podem assim ser ligados ao seu desequilíbrio.

O declínio da saúde do corpo está profundamente relacionado a saúde do cólon e pode-se facilmente observar que a maior parte das doenças tem origem na irresponsabilidade alimentar. Sabemos que a base de uma função intestinal harmoniosa são as bactérias presentes na anatomia inteligente do intestino - anatômicamente as microvilosidades deste órgão são permeadas por milhões de bactérias. O principal fator perturbador desta ordem interna está na ingesta de alimentos tóxicos que matam estas bactérias e permitem que outras formas vivas, também bactérias, se instalem na região matando a “boa flora” e transformando o intestino em um produtor de toxinas que vão passar a circular através do sistema sanguíneo envenenando e poluindo o corpo e a mente e provocando as mais variadas desordens que vão de simples gases e depressão do sistema imunológico à condições psicológicas perturbadoras. Quando este quadro  de desequilíbrio da flora está associado com constipação, a carga tóxica que pode estar circulando tende a tornar-se ainda mais intensa, além de levar ao intestino a pedir ajuda aos outros órgãos que trabalham como depuradores e excretores - como por exemplo a pele e o rim onde obsevamos vitalidade e beleza, sobrecarregando assim outros sistemas.

Abaixo segue parte de um texto muito interessante, de autoria do Dr. Alberto Gonzalez sobre a relação da alimentação, flora intestinal e sistema imunológico.

A paz é intestinal
Por Dr. Alberto Gonzalez

O sistema digestivo, após uma refeição, usa de todos os recursos para obter os nutrientes que irão sustentar a vida. Basicamente são: enzimas que degradam gorduras, proteínas e carboidratos, ácidos e bases para 'digerir' grandes moléculas, emulsificantes, quelantes, um verdadeiro laboratório bioquímico, à nossa disposição. Tudo funcionando naturalmente, permitindo que aquilo que usamos como alimento possa ser transformado em nutrição e energia. 
O tubo digestivo deve ter a capacidade de selecionar o que é bom (nutrição) e o que é ruim (excreção). Defender-se de um intruso com más intenções, e manter os que pegam carona e nos ajudam: das bactérias. São em média um quatrilhão de bactérias que, dependendo da alimentação, podem ser grandes amigas ou grandes inimigas da saúde.
Para manter essa enorme população de bactérias, nem sempre pacíficas, as paredes do tubo digestivo contam com a maior massa de tecido do corpo humano: o sistema de células M e as placas de Peyer. Esse sistema imunológico pode identificar e destruir microorganismos e moléculas que não nos servem ou selecionar e absorver moléculas complexas que sejam necessárias à economia e saúde do organismo.
Os processos digestório e imunológico permitem a absorção de enzimas da dieta, e podem neutralizar e destruir bactérias nocivas ou relacionar-se diplomaticamente com elas, e até dar suporte a populações de bactérias benéficas.
Se ingerirmos alimentos cozidos antes de um exame de sangue (café com leite e pão com manteiga por exemplo), nosso corpo iniciará uma resposta imune que eleva a contagem de glóbulos brancos a um valor parecido ao de uma apendicite aguda. Essa resposta orgânica é chamada de leucocitose digestiva. É por isso que os laboratórios pedem sempre que se fique em jejum antes de um exame de sangue. Esse fato, entretanto, não ocorre após a ingestão de alimentos crus.
As bactérias podem gerar efeitos diametralmente opostos na nutrição e vitalidade, dependendo do seu gênero:
• Benéficas: trabalharão incessantemente fermentando, degradando, digerindo, produzindo vitaminas (como as do complexo B), interferon (o mais potente remédio contra os vírus), antioxidantes, degradando colesterol nocivo e mantendo nosso sistema imune estável, saudável e ativo.
Elas se nutrem basicamente de fibras e alimentos de origem vegetal, principalmente os íntegros,  maduros e frescos, ou seja, não refinados, cozidos, fritos, aditivados ou congelados.
• Nocivas: trabalharão incessantemente produzindo colesterol nocivo, enterotoxinas, produtos carcinogênicos e imunodepressores, radicais livres e tornando o sistema imune instável, deprimido e auto-agressivo.
Elas se nutrem de alimentos industrializados e vazios de nutrientes, açúcar, refinado( sacarose), farinhas e amidos refinados, aditivos sintéticos, produtos de origem animal.
Alimentando-se assim, mantemos em nosso intestino um viveiro de serpentes venenosas, que transformam tudo o que aparece em toxinas fortíssimas e degradam substâncias presentes nessa forma de dieta, em produtos que fabricam o câncer, podendo agir diretamente na parede do intestino ou ser absorvidos, gerando um enorme problema para nosso corpo se livrar. Causa surpresa que esses alimentos sejam considerados inofensivos pela Saúde Pública. (leia o artigo inteiro)


Alimentos que poluem o corpo e a mente:

- carnes de produção convencional onde os animais são bombardeados com vacinas e antibióticos que matam a beleza do intestino além de entrarem rapidamente em putrefação produzindo lixo para o sangue.
- Alimentos industrializados ricos em conservantes, conservadores e anti-fúnicos que ajudam a exterminar a flora.
- Açúcar e toda espécie de alimentos refinados que acidificam o sangue e destroem o equilíbrio do ph interno do organismo humano.

Uma alimentação baseada em nos itens acima, não só destroem a flora intestinal mas também desvitalizam o sistema imunológico, deixando assim o corpo exposto á infecções por outras variedades de vírus e bactérias nocivos. Outro fator relevante na destruição da flora é o uso constante de antibióticos e antimicóticos.

Intestino que não Flui - constipação 

Para a ayurveda, a saúde do intestino está intimamente ligada ao nosso ritmo. Sendo o cólon a sede física do dosha vata - humor do ar e do éter, e seu desequilíbrio provocado pela inconstância e a instabilidade, a ayurveda recomenda rotina e alimentação anti-vata para quem apresenta intestino irregular, bem como o uso de ervas e limpezas intestinais periodicas. A alimentação para que sofre de prisão de ventre deve ser úmida, com uso de óleos vegetais ou ghee (encontre aqui) para facilitar a lubrificação do bolo fecal em maior quantidade. A alimentação anti-vata é caracterizada por conter alimentos bem cozidos mas cabe aqui comentar que a ingesta de alimentos crus e brotos é de extrema importância devido a presença de enzimas reguladoras que são perdidas durante o cozimento. Conselho: cozinhe bem os grãos e leguminosas, deixando-as de molho em água por algumas horas, despresando a água do molho para evitar que formem gases quando consumidas, o cozimento a preparação apropriada permite que a fibra hidrate e não resseque o intestino. Tempere os legumes e saladas cruas com bastante azeite de oliva, tahine ou algum óleo virgem de sua preferência deixando-os “úmidos” como prevê a dieta anti-vata. 
Ingerir chás de flores doces e água sempre em temperatura ambiente também é muito importante. A rotina deve ser observada de modo a facilitar com que o relógio intestinal se harmonize com o pessoal: deitar-se e levantar-se sempre no mesmo horário, de preferência acordar antes do horário do intestino que vai até as 7 horas da manhã e estabelecer um horário para as refeições é também de importância considerável para a configuração e marcação deste ritmo.

Na ayurveda, a erva mais recomendada para  regular o intestino é conhecida como triphala, que na verdade é um composto de três ervas:  Amalaki (Emblica officinalis), Bibhitaki (Terminalia bellirica), e Haritaki (Terminalia chebula). Mas existem outras ervas daqui muito interessantes e de ótimo desempenho como o ruibarbo (Rheum palmatum L.), o psyllium na imagem ao lado (psyllium Plantago psyllium L) e o óleo de mamona, sendo que o óleo não deve ser tomado sem orientação pois causa forte diarréia. O chá de sene (senna alexandrina) funciona, mas irrita o intestino e também não deve ser usado corriqueiramente pois pode causar dores abdominais bem intensas quando a dosagem e o tempo de tratamento não são observadados. O principal tratamento ayurvédico para o cólon é chamado de basti, indicado para pessoas com desequilíbrios crônicos de intestino e em casos de excesso do dosha vata.


Irritação crônica e mau humor são as condições mais comuns de quem está literalmente enfezado ou retendo fezes, por isso o melhor tratamento para esta condição é cuidar do intestino trazendo também à reflexão: o que está travado ou parado em mim? O que não consigo deixar ir embora? A que estou apegado?
Outros fatores relacionados a constipação é a falta de atividade física, o baixo consumo de água e alimentos integrais e/ou crus.

Segue  um artigos bem interessantes para quem que saber mais:

O que revela um intestino preso? 
Metafisicamente, a prisão de ventre pode revelar uma avareza para com a possibilidade de prosperidade e expansão da própria vida. Inclusive, é comum que pessoas que apresentam constipação crônica, tenham dificuldade de aprendizado e resistência para aceitar desafios.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Ayurveda - entrevista no programa Falando da TVCom



Compartilho aqui a entrevista sobre Ayurveda no programa Falando da TVCom que participei juntamente 
com a Mariana Alba que é professora de yoga e trabalha com Ayurveda e o Eric 
do Shambala Spa Zen no dia 16/11. Grata a Naia e Cris pelo convite.



Clique no link abaixo para baixar o video do programa na íntegra, que tem a duração de aproximadamente 1 hora.
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[VID]FAL1611_WMV V8.wmv22-Nov-2010 08:13162M


sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Consciência Alimentar e Nutrição ayurvédica

por Marise Berg


Consciência Alimentar

Somos recriados a todo momento. Cada refeição que fazemos
 revela uma oportunidade de melhorar ou lesar a nossa saúde. 




A Ayurveda tem uma visão exclusiva sobre a constituição psicofísica dos seres humanos. São reconhecidas cinco forças da natureza que se combinam dinamicamente para formar o nosso organismo: éter (ou espaço), ar, fogo, água e terra. Esta combinação, chamada Prakritti (ou dosha), organiza todas as funções físicas, mentais e emocionais necessárias para a vida. 
Descobrir a nossa prakritti é uma oportunidade para entendermos melhor a nossa individualidade. Ao nos familiarizarmos com a nossa natureza, aprendemos a nos manter em harmonia, conquistando uma vida equilibrada, bem estar e saúde. 

A dieta adequada – um dos principais pilares da boa saúde - depende dessa compreensão. Tudo o que somos é o resultado da síntese dos alimentos físicos e/ou energéticos que ingerimos. Eles fornecem para o organismo o material necessário para o processo metabólico que nutre a vida. São os melhores medicamentos. Quando são adequados para o nosso corpo e devidamente digeridos, contribuem para nos tornar saudáveis. Quando a dieta não é compatível com a nossa constituição individual, sofremos de desequilíbrios físicos e psicológicos. Nossa saúde, nosso peso ideal, nossa estabilidade emocional, nossa acuidade mental e nosso bem estar geral dependem do que conseguimos e do que não conseguimos digerir.

Lidar com as dificuldades alimentares, principalmente o sobrepeso, não deve ser encarado como uma batalha a ser lutada sob a pena de nos tornarmos inimigos de nós mesmos e, em seguida, dos outros. Ao invés disso, podemos aprender a transformar as nossas dificuldades em amigos que estão se apresentando para nos ajudar. Eles nos dão oportunidades pra compreender profundamente as causas das nossas dificuldades. Somente a partir da consciência podemos trilhar a transformação na direção do prazer de viver e da paz.

Temos uma quantidade finita de energia para despender diariamente antes de cairmos exaustos. A consciência nos ajuda a usar esse combustível de forma otimizada com as pessoas e situações que nos trarão verdadeira paz, felicidade e prazer. A consciência é um “farol” que já existe dentro de nós. Só precisamos despertá-la. Vamos usá-la para iluminar a nossa vida a cada momento! Vivendo dessa forma, vamos encontrar o verdadeiro sabor da vida. Isso não vai nos ajudar somente a conquistar o bem estar físico – vai trazer à superfície a compreensão da riqueza e abundância da vida.

Reeducação Alimentar

Tão importante quanto a quantidade e a qualidade dos alimentos que ingerimos é o “por que” da nossa alimentação.
Temos a tendência a viver a vida no piloto automático. Ingerimos grande parte da nossa dieta pela força do hábito, cuja raiz está firmada na mente – relacionada com as memórias armazenadas ao longo da vida, com a maneira como aprendemos a reagir às percepções e também ao meio em que vivemos. Quando “aprendemos” com os amigos, parentes e mídia que comer chocolate ameniza a ansiedade ou beber um drink no final do dia ajuda a relaxar, vamos agir instintivamente dessa forma, perpetuando assim um ciclo impulsivo de atração pelo prazer e repulsa pela dor. Sabemos que determinado hábito não é saudável mas não conseguimos combatê-lo porque o desejo impulsivo pelo prazer é muito forte. Sabemos que alguma coisa está errada e não nos sentimos no controle da sua saúde. Estamos convencidos de que alguma coisa precisa mudar, mas por onde começar?

Se você é uma pessoa conectada com o seu peso e a boa forma, talvez tenha tentado várias dietas no passado. Talvez tenha experimentado cortar calorias, excluir as gorduras, evitar carboidratos, a dieta do limão, do repolho. Talvez tenha conseguido algum resultado e perdido alguns quilos – apenas para recuperá-los algum tempo depois.

Um plano eficiente de reeducação alimentar começa ao desligar o piloto automático e instalar a atenção plena. Devemos prestar atenção à potência da nossa fome, à quais alimentos nos caem melhor, qual é a quantidade de alimento que nos satisfaz e qual o sabor que mais nos agrada. Também convém sermos ser gratos por cada refeição que se apresenta, mesmo que ela não seja “tecnicamente ideal”.

O estilo de vida atual “exige” que a nossa atenção seja dividida simultaneamente entre diversos assuntos, o telefone, o computador, etc. Comemos automaticamente os alimentos mais práticos (alimentos requentados, encaixados, enlatados, reprocessados, e por aí vai...) e freqüentemente pulamos refeições ou as trocamos por um shake ou uma barra de cereais. A nossa mente está em qualquer lugar, menos à mesa. Estamos assistindo TV, ou numa reunião de negócios ou acessando os e-mails. Ou seja, a conexão entre a língua - esse poderoso órgão dos sentidos - e o cérebro está “fora do ar”.

Ao dedicar alguns segundos para praticar a atenção plena e manifestar gratidão pelo alimento, estaremos nos conectando com as sensações riquíssimas captadas pelo paladar, olfato, visão, tato e audição e também enviando vibrações positivas para toda a cadeia alimentar (o solo, o sol, a chuva, quem planta, quem colhe, transporta, vende, prepara...). Essa energia positiva influenciará a qualidade dessa refeição e nos permitirá fazer escolhas tecnicamente adequadas em relação à quantidade e combinação de grupos alimentares.

Estou com fome? Por que estou comendo? O que estou comendo? Estou feliz? Triste e ansioso?

A consciência alimentar é o caminho para quem quer perder ou ganhar uns poucos quilos, e também é o caminho para quem precisa perder 35 quilos. A caminhada começa com o primeiro passo e não importa quanto tempo será necessário para alcançar o objetivo final – o fundamental é que a direção esteja correta e que o caminho seja prazeroso e rico em experiências.

Quando perdemos a concentração ou comemos demais, apenas começamos novamente. Cada garfada, cada refeição, é uma chance para recomeçar.

Voilá!

Nutrição Ayurvédica

A Nutrição é uma ciência exata. Ela desvenda a interação dos nutrientes provenientes da dieta com a nossa saúde física de uma forma matemática: cada grama de carboidrato e proteína equivale a 4 Kcal, de gordura 9 Kcal e de álcool 7 Kcal. Por meio de exames clínicos é possível “vasculhar” o nosso organismo até identificar exatamente quais nutrientes estão sendo ingeridos adequadamente e quais não estão. Podemos, então, adequar a dieta e até suplementar os nutrientes em forma de cápsulas e o corpo estará devidamente – quimicamente - nutrido.

A Ayurveda vai além, complementando a matemática. Ela preconiza que o corpo é o nosso templo – o instrumento de expressão dos talentos da nossa alma e é por meio dele que a nossa consciência pode se manifestar – não há outro veículo. O alimento deve nutrir o funcionamento bioquímico do corpo que por sua vez abrigará e dará suporte energético para mente e a consciência.

O nosso corpo físico se alimenta de sólidos e líquidos, e o nosso corpo sutil (a nossa consciência e mente) se alimenta das vibrações percebidas pelos 5 sentidos. A respiração fornece energia vital para os dois corpos. Portanto, uma refeição completa é aquela saboreada com a participação dos 5 sentidos, da atenção plena e da respiração consciente.

Cada alimento apresenta um ou mais sabores que estão relacionados com sensações e sentimentos. São reconhecidos seis sabores (doce, amargo, adstringente, picante, ácido e salgado) identificados pelo cérebro por meio da língua que é um órgão dos sentidos sofisticadíssimo.

O sabor doce é nutritivo, tônico e rejuvenescedor. Harmoniza a mente e está relacionado ao sentimento de contentamento. Em excesso, causa letargia e apego (leite, nozes, frutas doces, arroz).
O ácido é estimulante, digestivo, aumenta o apetite e é carminativo (ajuda a dissolver gases). Ativa o metabolismo e as funções cerebrais. Desperta a mente e os sentidos. Em excesso, causa raiva, impaciência e inveja (iogurte, pickles, vinagre).
O salgado é digestivo, aumenta o apetite, promove a salivação, é levemente laxativo e potencializa o sabor dos alimentos. Acalma os nervos e diminui a ansiedade. Em excesso causa letargia, cobiça, raiva e impaciência (sal, algas).
O picante é estimulante, aumenta o poder digestivo, é diaforético (promove suor), expectorante, vermicida e aumenta a circulação. Limpa os canais energéticos. Em excesso, causa raiva e impaciência (pimentas, gengibre, cardamomo).
O amargo é desintoxicante, bactericida, germicida e limpa o sangue. Purifica a mente e as emoções. Em excesso, causa ansiedade, medo e insônia (hortaliças, chá verde).
O adstringente promove a absorção dos fluidos, é antiinflamatório, seca secreções excessivas e sangramentos. Esfria a mente e remove a letargia. Em excesso, causa ansiedade, preocupação, medo e insônia (grãos, alface, açafrão-da-terra, aspargos).

Uma dieta equilibrada deve ser variada, com o fornecimento de todos os sabores.


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Este e outros textos muito bons de Marise Berg  sobre ayurveda e alimentação estão disponíveis no seu excelente blog www.ayurvedicamente.blogspot.com


namastê!